Archive for outubro, 2008

Filme: À Procura da Felicidade

Resumo

“À procura da felicidade” (The Pursuit of Happyness) é um filme emocionante e sensacional.

Baseado numa história verídica, o filme apresenta a história de um homem que estava enfrentando diversos problemas e conseguiu superá-los. Tudo o que tinha de acontecer de errado com ele, basicamente aconteceu.

O começo do filme mostra a vida de um casal. Eles têm um filho e ambos trabalham para sobreviver. Ele(Chris Gardner) é vendedor, mas infelizmente o casal investiu em um produto (equipamento odontológico – scanners ósseo) que não teve muita saída no mercado, como eles esperavam. Então, ele não conseguia vender os scanners.

Por causa dos problemas financeiros, o casal tem diversas discussões. A mulher resolve deixar o marido. Ele fica com o filho e tem a responsabilidade de sustentar e cuidar do menino. Para piorar a situação, ele perde o carro, não consegue pagar o aluguel. Ele procura um emprego numa empresa muito reconhecida, empresa de investimentos.

Justamente um dia antes da entrevista de emprego, ele é preso por não pagar as multas de trânsito e é obrigado a ficar uma noite na prisão. Como ele estava pintando a casa (o dono da casa deixou ele ficar mais uma semana nesta casa, se ele pintasse), ele ficou uma noite na prisão e todo sujo de tinta. A entrevista de emprego era no outro dia, bem de manhã. Ele saiu da prisão e foi direto para a entrevista de emprego, todo sujo.

Na entrevista, ele é criativo e sincero, usa do bom humor para contar o que houve. Os diretores da empresa aceitam ele como um “estagiário”. A proposta é que ele trabalhasse 6 meses sem receber nada, fazendo um período de estágio e avaliação.  Cris Gargen pensa em desistir de fazer este estágio, afinal, ele precisa de dinheiro para sustentar o filho.

Por fim, ele aceita o desafio, continua vendendo os últimos scanners que ainda lhe restam. Passa algumas noites no metrô com o seu filho, passa um período no abrigo, afinal, ele ficou sem moradia. No final, depois de tanto estudar e trabalhar duro no estágio, ele consegue ser efetivado na empresa, alcança um sonho e de certa forma, encontra a Felicidade. O filme termina expondo que ele monta a própria empresa e se torna um milionário.

Reflexão

O filme  aborda o “sonho americano” de alguém que está lá embaixo e através de muito trabalho ele consegue superar e crescer. É claro que, por se tratar de um filme, alguns detalhes da história real não são apresentados e por ser um filme Hollywoodiano, tem alguns exageros. Mas é um excelente filme.

Através do filme, percebemos que apesar das dificuldades, Chris não desiste de lutar, de cuidar do seu filho, de batalhar para alcançar uma vida melhor. Ao invés de ficar reclamando, murmurando e esperando algo do governo, ele vai a luta e alcança um sonho.

Eu diria que muitas pessoas se acomodam e vivem sempre na mesma. O filme vem despertar a importância do trabalho duro, da esperança, da disciplina, de manter os valores mesmo diante das dificuldades. Eu creio que muitas pessoas alcançaram uma vida melhor, devido a sua criatividade, perservarança, trabalho duro, honestidade e fé.

Aqui no Brasil, poderia citar o fundador das Casas Bahia, poderia citar como exemplo o Silvio Santos. Pessoas que não tinham praticamente nada e hoje são grandes empresários. O filme brasileiro “Os Filhos de Francisco” (Zezé Di Camargo e Luciano) também apresenta a história de uma família que melhorou de vida, depois de muita luta, esperança, perservarança e trabalho duro. Estes exemplos inspiram as pessoas a acreditar, a perservarar, a lutar, a trabalhar duro, ter disciplina.

Agora, eu não sou ingênuo de dizer que todo mundo que trabalha duro consegue se tornar um milionário, um empresário ou uma dupla sertaneja de sucesso. Entre uma história de sucesso de uma dupla sertaneja, existem centenas de duplas que seguiram o mesmo caminho, mas não obtiveram o mesmo resultado.

Existem diversas famílias que lutam duro, perservaram, mas não alcançam toda esta riqueza ou sucesso. É notável que existe uma desigualdade social violenta no mundo, que enquanto uma minoria desfruta das riquezas, a maioria passa por dificuldades e uma boa parte vive na miséria.

Entrentanto, ainda que existam todos estes problemas no mundo, creio que o caminho ainda é perservarar, ter esperança, lutar, trabalhar duro, ter fé. E se por acaso, acontecer de chegar a ser um milionário, que possa usar esta riqueza para abençoar outras pessoas.

Infelizmente, na concepção do mercado, as pessoas acreditam que para UM ganhar, todos os outros têm que perder. Esta é uma realidade. Buscando um sistema alternativo, crendo que um novo mundo é possível, creio que o caminho é quando todos vencem e ganham. Não necessariamente o outro precisa perder quando eu ganho.  Jogamos no mesmo time, somos todos humanos.

Mas, por outro lado, eu também não sou ingênuo de crer que o socialismo ou o comunismo é o caminho. A história tem demonstrado que a natureza humana é má. Um sistema “igualitário” sem a transformação do caráter humano, da natureza humana, seria uma furada, como no passado já demonstrou não funcionar. Sabemos que, enquanto muitos trabalham, muitos outros não fazem nada. E num sistema igualitário, isto persistiria, muitos iriam trabalhar duro, enquanto outros não fariam nada, e assim, todos ganhariam a mesma coisa, com os mesmos direitos.

A transformação não pode ser de fora para dentro. O problema não está somente no sistema, mas quem criou o sistema e quem alimenta este sistema: o ser humano. A transformação começa de dentro para fora. O caráter humano / a natureza humana precisa ser transformada por Deus para que haja amor a Deus e amor ao próximo. Aí sim, conseguiríamos uma sociedade justa, com harmonia, com paz, onde todos ganhariam, não somente alguns.

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O ser humano – A.S.

Quem sou eu? Quem é você ? Como podemos definir a humanidade ?

Fico surpreendido com a discrepância das ações humanas. É possível encontrar gestos de amor e ao mesmo tempo, gesto de ódio, violência, destruição. O individualismo é uma característica da sociedade contemporânea, mas o ser humano não sobrevive sem o outro.

A vida não faz sentido sem outras pessoas. Tanto é que, uma das maiores dores é a rejeição. Todos buscam o reconhecimento, a aceitação das outras pessoas. É claro que nesta busca, não é possível e nem natural ter a aceitação de todos. A mulher que gasta um tempão para encontrar uma roupa, para se arrumar, fazer a maquiagem, para ir em algum evento, ela está preocupada em ter a aceitação de outras mulheres e também de homens. Se não houvesse outras mulheres, outras pessoas, não faria sentido ela se preocupar se vai vestir a mesma roupa do evento passado.

Ser o primeiro da classe, o melhor jogador do time, são atitudes do ser humano que deseja reconhecimento. A criança que procura aprontar alguma “arte”, muitas vezes demonstra o sentimento de ter a atenção dos pais, o carinho dos pais.  O ser humano é carente da relação com o outro. Foge ao meu conhecimento o autor desta frase, mas ele estava certo quando afirmou “o ser humano não é uma ilha para viver isolado”.

Diversos males da nossa sociedade são frutos da falta de relacionamentos saudáveis e profundos. O lema “cada um por si” tem causado estresse, depressão, fobias e até mesmo, alguns cânceres. A ganância tem iludido a humanidade de uma felicidade superficial e passageira.

O cinismo assola o nosso mundo. Diferente da corrente filosófica “Cinismo”, que pregava o desapego as riquezas e bens naturais, hoje, o cinismo significa a falta de sensibilidade ao sofrimento do outro. Cinismo é a indiferença. Os programas de TV mostram diversos sofrimentos, os telespectadores acompanham, assistem, mas não tem atitudes. A humanidade tem se conformado, crendo que tudo isto é normal.

A violência, fome, miséria, desigualdade social, desmatamento, drogas, corrupção, pirataria, trabalho escravo, trabalho infantil, pedofilia, prostituição, tem se tornado “normal”. Diante de tantos males e cada um buscando o seu próprio prazer, sua própria sobrevivência, as pessoas sentem-se impotentes.

Falta ética até mesmo nos avanços científicos e tecnológicos. O que adianta chegar na lua, enquanto centenas de milhares ainda não tem energia elétrica, água encanada, moradia e alimentação? Na época do iluminismo, o culto a razão, acreditava-se que através da educação – racionalização – todos os problemas seriam resolvidos. Prepotência humana. Quanto mais se aproxima da Verdade, mais percebe-se o quanto conhecemos pouco.

Será que o caminho é a educação ? Embora eu acredite que a educação seja importante, ela não é o remédio para resolver de vez estes males. Diversas pessoas cultas, com seus títulos, são corruptas e indiferentes aos problemas do outro. Pessoas que foram criadas nos “melhores” lares e estudaram nas “melhores” escolas, cometem atos criminosos estupendos, como assassinato e roubo.

E toda educação tem uma ideologia por trás. E a nossa educação tem sido influenciada pela cultura do consumo. Aumenta o número de faculdades, tendo os alunos como “clientes”. Aumenta o número de alunos formados, mas poucas as pesquisam que visam melhorar o mundo em que vivemos.

Infelizmente, temos uma educação bancária, na qual o professor prepotente deposita o seu conhecimento em sala de aula, crendo que o aluno não tem nada a oferecer. Falta o estímulo a criatividade e curiosidade. Não há verdadeiro “conhecimento”  ou “construção do conhecimento” sem a curiosidade. Professores fingem ensinar e alunos fingem estudar.

Jovens não acreditam mais num ideal, na utopia, nas mudanças. Diminui o envolvimento dos jovens na política. Afinal, os poderosos continuam escravizando e passando a idéia que “não é possível fazer nada” – “nada pode mudar”. A humanidade aceita e entra no sistema do individualismo.

Pais se matam para trocar o modelo de celular dos seus filhos a cada 3 meses ou até menos. Vizinhos nem se conhecem mais. Taxamos todos os mendigos, todos os andarilhos, todos os moradores de ruas, todos os “favelados”, de pessoas preguiçosas, de mau caráter.

Será que existe cura? Nossa sociedade tem cura?

Creio e tenho esperança que sim. O caminho da cura não é fácil, mas é mais simples do que imaginamos. Reconhecer que precisamos do outro e que o relacionamento humano é essencial para o nosso desenvolvimento. Não somos máquinas, somos humanos. A nossa essência é a relação com o outro. Não faria sentido nem mesmo ter um “nome”, “sobrenome”, se o outro não existisse.

Conversando com algumas pessoas, elas compartilharam uma dura realidade, que em determinados momentos elas perceberam que estavam rodeadas de muitas pessoas, mas não tinham amigos. Os relacionamentos profundos não são incentivados hoje. Ter amigo não é tão fácil. Construir um relacionamento dá trabalho, leva tempo, exige renúncias. Mas no tempo da instantaneidade, onde tudo é muito rápido, as pessoas não querem esperar, não querem construir. Elas preferem tudo pronto e imediato, não importa se tem qualidade.

Quando um vendedor oferece uma “garantia extendida” de um produto que você acaba de comprar, você percebe que os produtos hoje são fabricados para durar pouco.

Eu sei que  os relacionamentos não são fáceis, mas para o desenvolvimento humano eles são essenciais. Hoje, algumas empresas mudaram e estão procurando pessoa que saibam se relacionar e trabalhar em equipe. Muitas pessoas não encaram um relacionamento profundo, como uma boa amizade ou até mesmo o casamento, por medo e por imaturidade. O desenvolvimento humano não é um caminho só de flores, tem suas dificuldades, muitas vezes tem suas dores.

A cura da sociedade contemporânea está num texto muito antigo e conhecido, mas pouco praticado: Amar a Deus sobre todas as coisas e amar o próximo como a si mesmo. (Deuteronômio 6.4-5  – Levíticos 19.18 – Mateus 22.37-39).

Quando as pessoas colocam Deus no centro das suas vidas e tem um verdadeiro relacionamento com Ele, elas passam a ter uma cosmovisão bem diferente da anunciada em nossos tempos. Elas começam a enxergar a vida de um outro prisma, com outros olhos. É como se outrora fossem cegos e agora, enxergam.

As pessoas que vivenciam um relacionamento com o Criador, elas enxergam as outras pessoas na ótica de Deus.  Quando eu desenvolvo uma amizade com Deus, eu deixo de buscar uma água que não sacia e começo a beber de uma água viva, que sacia a minha sede de forma integral.

Tratar o outro como eu gostaria de ser tratado é a grande regra de ouro. Imagina como muitas coisas mudariam se a maioria seguisse esta regra ? Se quero ser respeitado, eu respeito. Se eu quero reconhecimento, eu reconheço as virtudes do outro. Se eu quero perdão, eu ofereço o perdão. Se eu quero carinho, eu dou carinho. Se colocar no lugar do outro é uma atitude de pessoas maduras.

A humanidade foge do seu propósito, da sua missão. Ela evita o desenvolvimento verdadeiro. Encontramos diversas pessoas nos seus empregos, frustradas por não fazer o que foram vocacionadas, mas tem a estabilidade financeira e o status perante os outros, vizinhos, “amigos” e sociedade.  Pessoas que abandonaram seus sonhos, que vivem anestesiadas.

“A sociedade anestesiada” é um bom título de um livro.  O prazer imediato (hedonismo) e sem compromisso, o culto ao corpo, o alcoolismo, as drogas, consumismo, materialismo, prostituição, são anestesias de uma sociedade com dores. Estes remédios são passageiros, depois que passa o período de anestesia, as pessoas voltam nas suas dores: solidão, depressão, falta de sentido.

O caminho é o relacionamento com Deus e conseqüentemente o relacionamento com o próximo. Quando eu recebo esta nova cosmovisão, eu tenho esperança e creio nas mudanças, fazendo a minha parte, construindo um futuro melhor. Eu passo a entender que as pessoas são mais importantes que as coisas.

As obras poéticas – William Cowper

Suponhamos (no calor da fantasia,
O pensamento o que não suporia?)
Uma ilha com gente bem normal,
Mas que é cega, apesar de racional.
Que a suposição não nos desassista
E na praia coloque um oculista
Que asseste as lentes para detectar
Se os olhos deles podem enxergar.
Descobre que seus instrumentos não
Produzem luiz, se reina a escuridão.
Faz palestras, descreve, em voz convivta,
Algo inaudito à multidão aflita.
Fala de luz, de matizes prismáticos,
No estilo de eruditos catedrásticos.
Mas a resposta que consegue é: “Gente!
Que viajante esquisito, e como mente!”

William Cowper